EmPanados (2021-2022)
Sobre
Estas figuras marcam o início da minha transição de arqueólogo para fabulador. Criadas durante o isolamento da pandemia, são corpos sem bordas definidas – texturizados, “empanados” e crus. Ao contrário das bonecas tradicionais que mimetizam a perfeição humana, os EmPanados celebram o amorfo e o tátil. Eles são os ancestrais dos meus “corpos impossíveis”, estabelecendo as bases para uma prática que escava a realidade desordenada do eu.
As figuras foram construídas intuitivamente a partir de retalhos de tecido resgatados da costura doméstica de minha mãe. Sem projeto prévio, a forma nasceu do toque e do acidente. Em uma das primeiras exposições, uma espectadora comentou que as peças pareciam o resultado de “um casaco que estourou” – uma descrição precisa para estes corpos que expõem seu interior cru e texturizado.”
A ambiguidade destes corpos foi posta à prova logo em sua primeira exibição. A montagem, realizada por colegas do Mestrado em Artes Visuais, resultou em duas peças instaladas de cabeça para baixo. Longe de ser visto como um erro, este “desvio” foi incorporado à narrativa da obra: ele valida o sucesso dos EmPanados em serem corpos verdadeiramente amorfos, onde a distinção entre cabeça e membros se dissolve, permitindo que o observador – e o instalador – projete sua própria anatomia sobre a forma.
About
These figures mark the beginning of my transition from archaeologist to fabulator. Created during the isolation of the pandemic, they are bodies without clear borders – textured, breaded (“empanado”), and raw. Unlike traditional dolls that mimic human perfection, the EmPanados celebrate the amorphous and the tactile. They are the ancestors of my “impossible bodies,” setting the stage for a practice that excavates the messy reality of the self.
The figures were constructed intuitively using fabric scraps rescued from my mother’s domestic sewing. Without a prior blueprint, the form emerged from touch and accident. During an early exhibition, a viewer remarked that the pieces looked like the result of “a coat that burst” – a precise description for these bodies that expose their raw, textured interiors.
The ambiguity of these bodies was put to the test during their very first exhibition. The installation, carried out by colleagues from the Master’s in Visual Arts program, resulted in two pieces being hung upside down. Far from being viewed as an error, this “deviation” was incorporated into the work’s narrative: it validates the EmPanados‘ success in being truly amorphous bodies, where the distinction between head and limbs dissolves, allowing the observer – and the installer – to project their own anatomy onto the form.

EmPanados. 2021-2022. Textile sculptures. In exhibition at A Sala Gallery (UFPel, 2022).